terça-feira, 4 de março de 2014
.Carnal.
No carnaval abrimos sem medo todas as portas de nossas hipocrisias do dia a dia. É o estágio anual de infinitas possibilidades. Onde se permitem seios de fora, bundas à mostra, e uma felicidade que não pede licença e nem é culpada por ser sentida. Onde se pode usar várias máscaras e não ser interpretado como duas caras. É poder ser mulher, se é um homem e ser homem se é mulher. E não apanhar por isso na próxima esquina. Tudo é permitido. Filhos são feitos, casamentos desfeitos, amigos reencontrados num corpo mergulhado em manguaça e sorriso alargado. Vestimos nosso melhor rabo de pavão e balançamos por aí sem receio de ter o corpo violado. Pode olhar. É para olhar. Mas só toque se eu deixar. E quando as cinzas de uma nova quarta vier enterrar o Erê que sempre acorda em meados de todo fevereiro, vamos voltar a nossa rotina responsável e melancólica. Mergulhados em ressacas. Sejam elas físicas ou morais. Estão alí. E vão nos acompanhar até a próxima estação carnal chegar. Até a próxima fatia comemorativa. E isso tudo só por que nos esquecemos que podemos ser felizes todos os dias.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário