quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mudanças. Por Luíz Fernando Veríssimo


E tudo mudou...


O rouge virou blush

O pó-de-arroz virou pó compacto

O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor

A lycra virou stretch

Anabela virou plataforma

O corpete virou porta-seios

Que virou sutiã

Que virou lib, que virou silicone


A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento

A escova virou chapinha

'Problemas de moça' viraram TPM

Confete virou MM


A crise de nervos virou stresse

A chita virou viscose

A purpurina virou gliter

A brilhantina virou musse

Os halteres viraram bomba

A ergométrica virou spinning

A tanga virou fio-dental

E o fio dental anti-séptico bucal



Ninguém mais vê...

ping-pong virou babaloo

O a-la-carte virou self-service


A tristeza, depressão

O espaguete, miojo pronto

A paquera virou pegação

A gafieira virou dança de salão


O que era praça virou shopping

A areia virou ringue

A caneta virou teclado

O long play virou CD


A fita de vídeo é DVD

O CD já é MP3

É um filho onde éramos seis

O álbum de fotos agora é mostrado por e-mails


O namoro agora é virtual

A cantada virou torpedo

E do 'não' não se tem medo

O break virou street

O samba, pagode

O carnaval de rua virou Sapucaí

O folclore brasileiro, halloween

O piano agora é teclado, também


O forró de sanfona ficou eletrônico

Fortificante não é mais Biotônico

Bicicleta virou Bis


Polícia e ladrão virou Counter Strike


Folhetins são novelas de TV

Fauna e Flora a desaparecer

Lobato virou Paulo Coelho

Caetano virou um chato


Chico sumiu da FM e TV


Baby se converteu

RPM desapareceu

Elis ressucitou em Maria Rita?

Gal virou fênix

Raul e Renato

Cássia e Cazuza

Lennon e Elvis

Todos anjos

Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe

A bala antes encontrada agora é perdida

A violência esta coisa maldita!


A maconha é calmante


O professor é agora o facilitador

As lições já não importam mais

A guerra superou a paz

E a sociedade ficou incapaz...

...De tudo


Inclusive de notar essas diferanças.


(Luíz Fernando Veríssimo)

domingo, 26 de abril de 2009

Uma árvore no quarto andar.


De um buraco quadrado na parede do quarto sente-se a brisa. O cheiro de água de céu. Cai. Caem gotas nas folhas de uma árvore de raíz lá embaixo e fim na janela de um quarto andar. Parece que a árvore só pertence a quem nesse quarto está. No fundo, sabe que é para todos. E pede em seu íntimo que ninguém, nunca, se sinta no direito de apagar do cenário a árvore do quarto andar.

sábado, 25 de abril de 2009

Palavras.

Ainda bem que existem os livros!
Os eternos e sinceros amores
as frutas doces, suculentas
as gargalhadas mijadas
as sacanagens secretas do pensamento
os lamentos
e então, o alívio.
Ainda bem que existe um mundo inteiro
inteiro para se desesperar
chorar
ter esperanças
e sorrir.
Quando tudo pode desabar
alguém pode te levantar
te enxugar
dizer
você inspira o melhor das pessoas.
E que pessoas!
Ainda bem que existe a palavra!
Ainda bem que existem os livros!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O mar da cidade.

Os dias não estão acontecendo de maneira fácil.

Quando o sol está partindo, querendo ceder seu lugar a lua, o coração se aterra e os olhos se enchem. Mas é também nessa mesma hora que ganho o céu mais bonito de cada dia. Com Seu fogo e sua violeta. E até mesmo seu contorno rosado, bordado por nuvens ralas e infinitas. 

O chão e o teto se confudem. E assim formam a mais bela melancolia e própria beleza. Beleza de cada dia. Porque mesmo com toda a tristeza, ainda há toda essa beleza.

Olhe ao redor.

Respire fundo.

Caminhe.

Pare um instante.

Contemple!

O céu está lá, todos os dias. Tornando-se coroado pelo manto preto. E esperando o novo azul.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O mundo digital nunca me atraiu. O que sinto na verdade, é medo! Medo de toda essa tecnologia. De um futuro que se torna cada vez mais próximo. Com suas naves, robôs, compras on-line e cartas virtuais. 

Gosto mais do tempo da vovó. Onde se recebiam cartas de amor com a letra do seu amor impressa no papel pautado. Mas confesso que de alguma maneira, a tela de um computador tem se tornado atraente.

Gosto de escrever! Na verdade, amo escrever. E mais do que nunca, ando com essa necessidade de colocar no papel ou na tela meus sentimentos e idéias. Primeiro foi o e-mail que fiz meio a contra-gosto, por causa do teatro. depois foi um fotolog. Porque adoro fotos. Então, depois de muito tempo, meu amor fez para mim algo que sempre resisti: Um orkut.  E agora, finalmente ou não, me torno uma bloggeira. E tudo isso para que?? Para simplesmente escrever. 

E hoje, eu quero agradecer... Agradecer as pessoas que tenho em minha vida. Família, amigos e pessoas. Pessoas que talvez nunca mais eu veja.Mas que passaram por mim como anjos, simples e bonitos! É certo que nesse caminho doido da vida encontramos meninos borrados e malvados. Eu encontrei .E acho que até o fim de minha linha, encontrarei mais alguns. Seria bom se assim não fosse. Mas creio que assim seja. Então, me resta olhar para os sorrisos que me dão. Descobri que esses são muitos. As pedras do caminho me afetam, claro, me machucam. Mas não me marcam. Não de fato.