domingo, 16 de dezembro de 2012

.Vento.

Ele levou ideias
varreu palavras
e alguém em algum lugar do mundo as pegou.
Que o bom proveito se faça
semente germinada
rápida como um pé de vento.
Não queria falar sobre isso.
Mas o vento passou por aqui.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

.Intuição.

Intuir, intuir, intuir
Sentir, pressentir, acreditar
ou não
Essa louca deixa a cabeça segura.
Mas ás vezes segura demais trazendo no outro braço a senhora incerteza.
Ficamos no meio da linha, bambeando de lá pra cá
traindo o próprio sentido
agonizando as sinapses
revirando dúvidas, certezas absolutas
que para o nada nos levam.
Então, qual é a regra?
Se a cada hora tudo se revolta e prova o que antes não se provava.
Saber que nada sabemos de nada?
Acordar a cada santo dia confiando nessa doida intuitiva?
Me perco a toda hora.
Tem pedaço de caminho que encanta
outro que queremos desviar de nossa atenção com a velocidade da luz.
Confiar ou não confiar nessa menina intuição?
Eis a questão!

sábado, 30 de junho de 2012

.tempos de pamonha.

Autorizo apenas a pamonha. Cigarras, cocas, pílulas e bebidas estão proibidas! Aquele que ousar desses escuros se esbaldar Em aço listrado há de ficar por longos e delicados tempos Encarcerado, enclausurado. Com o resto de sombra que ainda partilham de dias antigos. Passado o tempo de colheita prescrita Volto, proíbo a pamonha. Dias irão se fazer de racionalidades E apenas os vícios de cada idade serão alimentados Cultivados a beira da loucura de ser humano. E loucos são aqueles que lutam corpo a corpo com o louco lá de cima Esticando anseios, erros colecionando, humanos priorizando espaços de tempo. E foi tempo perdido? Somos tão jovens, tão jovens Pra sempre! Com empréstimos de palavras-pensamentos de Hilda Hilst e Renato Russo.

domingo, 24 de junho de 2012

.lustre de nuvem.

Livre pra pensar. Quente por iluminar Fresco de olhar. No fundo do mundo Na paisagem congelada De um foco entre algodão. Grandes, robustos de veludo branco. Sendo azul o seu céu. De azul tão claro como a mente. Quando sereno estiver Somente o momento.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

.neurosinceridade.

Conduzindo o tempo conduzindo os dias conduzindo a vida Conduzindo os anos conduzindo estalos conduzindo espaços Conduzindo a ânsia conduzindo o zumbido conduzindo o esquecido Conduzindo o inferno conduzindo o astral conduzindo o carnal Conduzindo a angustia conduzindo os apelos conduzindo os beijos Conduzindo as letras conduzindo a euforia conduzindo os dias Conduzindo a loucura conduzindo o passado conduzindo os passos Conduzindo os ninhos conduzindo a música conduzindo a sua luta. Tempo dias vida anos estalos espaços ânsia zumbido esquecido inferno astral carnal angustia apelos beijos letras euforia dias loucura passado passos ninhos música luta. Tudo de um pouco de muito pouco do tudo disso tudo! Pura neurosinceridade.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

.Só meu.

Hoje o dia é só meu.
Procurei rotinidades pra cumprir
mas acabei parando aqui
no deleite do nada
na hora vaga
no minuto calado
na solidão desprogramada.
Sentei, ouvi, vi, escrevi.
Tomei, lavei, chorei, pensei.
O dia parou para mim.
Passando vagaroso
chuvoso
cauteloso.
Gostoso!
Ainda tomo, sento, lavo, ouço, choro, vejo, penso e escrevo.
E o dia vai parando
chuviscando
vagarosamente passando...
...pra ser um dia.
Só meu!