O cheiro do batom Payot da minha mãe
fazer da minha pia uma banheira pra Barbie
e do tanque um poço misterioso para o Batman e Mulher-maravilha
escutar meus cd´s e ver minhas fitas
conversar até quase amanhecer com a nossa empregada
bater longos papos com os Franciscos da portaria
acordar cedo e se dar conta de que pode dormir mais
minha cara de sono
receber cartas
receber flores...
Ir ao trabalho da minha mãe
ser apresentada aos colegas da minha mãe
brincar no computador da minha mãe
comer queijo-quente com coca na hora do intervalo da minha mãe
comprar chiclete importado
cair de cabeça dando uma cambalhota no sofá e desmaiar
ser acordada com um copo d´água na cara e ainda achar que a Mara Maravilha era minha heroína
minha mãe se chama Mara.
me apaixonar
ir à aula de teatro no meio das tardes de sextas-feiras
comer abacaxi
dormir em cama bem macia
jogar queimada e ficar com as bochechas super rosadas
minha primeira aula de natação
o cheiro da touca de natação
o carnaval da tv da casa da vovó
ir ao clube
comer enroladinho de salsicha
não comer
as aulas de literatura do professor Adilson
as aulas de filosofia do professor Jairo
brincar com todos os amigos da 305
crescer.
e reservo aqui mais um tempo de lembrar. A saudade pode ser confundida com infelicidade, que vivemos de passado, de nostalgia. Mas eu gosto da memória. Estão aqui, um pouco das minhas. Assim como o meu presente. Esse momento. Essa vida exata e desprevenida. "Tão desconhecida e mágica... tão desprevenida e exata que um dia acaba." não é Cazuza?
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
.Meu pai é Fernando, meu pai é Noronha.
Cabra macho do sertão de Rio Grande do Norte, um de alguns. De histórias tão brasileiras e comida de Lampião. Um cabra macho! Íntegro, honesto, trabalhador. Sincero com seus sonhos e entregue ao coração. E vivo! Se sabendo tão vivo que viveu em lugares mágicos. Em muitos deles. E um, me da a nostalgia das fotos e histórias sobre um lugar que ainda não conheci. E você, cabra macho, lá por algum tempo viveu. Fernando de Noronha meu pai. isso sempre me encantou. Um lugar selvagem, misterioso e ao mesmo tempo tão cristalino, tão claro, tão raro. Com suas águas tão celestes e suas criaturas tão profundas, com a sua beira do mar. Cabra macho, mesmo sem de perto conhecer, tudo isso pra mim é você!
Com essa natureza! Com sua natureza! Meu primeiro pedaço de paraíso! Meu pai! Cabra macho!
sábado, 15 de março de 2014
.Linha de frente.
Ando colocando meus miolos em funcionamento extremo. Buscando aquele entendimento existencial que nunca vai chegar. Pelo menos não aqui na terra. Mas venho sentindo uma iluminação que vem mesmo como uma luz, que sem avisar, chega e acende. O lugar comum dos meus pensamentos é abandonado e dou então outro lugar de entendimento de mim para mim. O lugar maduro, o lugar sereno. Livre de julgamentos ou muitos questionamentos. Mas logo a luz se apaga e assim eu volto para o redemoinho de questões mal resolvidas ou entendidas. Porém, se em seguida respirar, vejo que a luz não se apagou de fato. Apenas se afastou. Mas não está no fim do túnel. Está mais próxima do que eu poderia qualquer dia imaginar.
Penso tanto. Penso muito! Penso tudo.
E o avanço dos anos vem chegando bem companheiro. Tem ansiedade. Muita!!! Mas sem desespero. É possível guardar um momento de se encarar e gostar. Gostar do que o tempo já fez. E imaginar o que o próximo tempo me dirá. Tenho medo. Mas um medo aventureiro. De quem sabe e gosta de estar vivo.
Penso tanto. Penso muito! Penso tudo.
E o avanço dos anos vem chegando bem companheiro. Tem ansiedade. Muita!!! Mas sem desespero. É possível guardar um momento de se encarar e gostar. Gostar do que o tempo já fez. E imaginar o que o próximo tempo me dirá. Tenho medo. Mas um medo aventureiro. De quem sabe e gosta de estar vivo.
terça-feira, 4 de março de 2014
.Carnal.
No carnaval abrimos sem medo todas as portas de nossas hipocrisias do dia a dia. É o estágio anual de infinitas possibilidades. Onde se permitem seios de fora, bundas à mostra, e uma felicidade que não pede licença e nem é culpada por ser sentida. Onde se pode usar várias máscaras e não ser interpretado como duas caras. É poder ser mulher, se é um homem e ser homem se é mulher. E não apanhar por isso na próxima esquina. Tudo é permitido. Filhos são feitos, casamentos desfeitos, amigos reencontrados num corpo mergulhado em manguaça e sorriso alargado. Vestimos nosso melhor rabo de pavão e balançamos por aí sem receio de ter o corpo violado. Pode olhar. É para olhar. Mas só toque se eu deixar. E quando as cinzas de uma nova quarta vier enterrar o Erê que sempre acorda em meados de todo fevereiro, vamos voltar a nossa rotina responsável e melancólica. Mergulhados em ressacas. Sejam elas físicas ou morais. Estão alí. E vão nos acompanhar até a próxima estação carnal chegar. Até a próxima fatia comemorativa. E isso tudo só por que nos esquecemos que podemos ser felizes todos os dias.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
.cabide social.
Um cabide. Um corpo como um cabide. Como uma modelo leve, magra, esguia caminhando firme. Sem tropeçar, sem duvidar. Com seu olhar seguro, repousado sempre na linha do horizonte. Onde a esperança sempre pode ser alcançada. Com sua expressão de neutralidade sem dor. Tudo passa e simplesmente passa. Será? Até onde a segurança de estar vivo te mantém Vivo? Onde você se encontra feliz com suas escolhas, no lugar onde você escolheu estar agora. Nessa cadeira, nessa grande passarela social? É possível se reconhecer no espelho? Se arrumar, se pentear, maquiar a cara, maquiar a máscara. Colocar a sua melhor roupa e tentar seguir em frente com este corpo-casa. Vender o seu peixe. Para se conseguir o emprego, para se conseguir o amor. E depois de conquistado? Sua máscara começa a derreter, seu cabide-corpo fica mais torto. Então, é a hora das palavras cuspidas, do sangue quente ruborizando toda a sua pele-casca. Uma casca dura, calejada de histórias, de experiências que te tornam humano. Cheio de suas verdades e necessidades. Verdades e necessidades que esbarram nas necessidades e verdades dos outros. E logo somos obrigados a conviver. O que de fato é um alívio! A solidão pode nos preencher. Mas até um certo ponto. Depois, precisamos ser aceitos, amados. Gritamos o amor sincero. Procuramos gostar de quem gosta da gente do jeitinho que a gente é. Mas mostramos tudo? É preciso mostrar tudo? Nosso mistério é sedutor e nossa verdade é incontestável? Minha dor é pior que a sua dor? A generosidade reside em nossa rotina? As nossas urgências nos solucionam ou nos atropelam? Pense, pense, pense... Mas em um denominador comum, acho que nunca iremos chegar.
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