Hoje eu matei uma vespa dentro do meu box.
Matei porque achava que era um cupim.
Demorou a morrer. Crueldade!
Matei com pesar no coração.
Quando descobri que era uma vespa, o meu pesar, o do coração, pesou mais ainda!
sexta-feira, 5 de junho de 2015
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
.Menina Estrella.
Quando a Sra. Lunara soube que estava grávida, imediatamente
transferiu toda sua frustração para aquele novo ser que crescia em seu ventre.
E isso é a mais pura verdade. Dizem que se faz necessária uma gravidez
tranquila para que o feto não sofra nenhum abalo grave. Mas com a Sra. Lunara as
coisas simplesmente aconteciam em milésimos de segundos. Era tarde demais! E
quando ficou claro de que seria uma menina, imediatamente a Sra. Lunara
sentenciou o nome da filha. Seria Menina Estrella. Com dois L's. Sra. Lunara
sempre achou chique a duplicidade de consoantes. E uma menina que nasceria para
ser a grande estrela de uma cidade, com muita fama e riqueza não poderia ter
nome melhor. Passados os nove meses de praxe, Menina Estrella nasceu. Linda,
saudável, mas com um grande detalhe: Seu rosto era completamente azul. Como uma
máscara perfeita toda trabalhada nessa cor. Um azul vivo, celeste, puro! Sra.
Lunara não contava com isso. E a Menina Estrella mal sabia o que a aguardava
vivendo em uma redoma de frustrações em cima de frustrações.
.Seu Empreendedor.
Seu
Empreendedor era o dono do Único Supermercado que existia na Cidade Sem Nome.
Desde criança, gostava de brincar de vendinha. Vendia o clássico: Refresco de
limão. Algo meio doce, meio amargo.
Gostava disso. Era filho único. Filho amado! Certa noite recebeu a notícia da
morte trágica de seus pais em um acidente de trabalho. Eles ganhavam a vida em
uma fábrica na Cidade Vizinha. Uma fábrica de chocolates finos. Eles caíram em
um caldeirão quente e preto. Preto como a escuridão da morte. Morreram afogados em uma quantidade absurda de leite e cacau. O seu
Empreendedor, então com doze anos, derramou as últimas lágrimas de sua vida. E
com o dinheiro que ganhou da indenização comprou um galpão. E lá montou o Único
Supermercado da Cidade Sem Nome. E nunca se viu em suas prateleiras qualquer
barra de chocolate.
.Mulher dos sonhos.
Um dia, sem mais nem menos, a mulher decidiu largar o homem.
Acordou bem cedo, antes do primeiro raio de sol invadir a fresta da janela.
Pegou o filho em seu colo ainda muito sonolento e se foi. Ligou a caminhonete
que havia sido comprada com o dinheiro dos salgadinhos que fazia pra fora e
dirigiu por horas e horas.
No fim da tarde, achou uma nascente perto da estrada e
resolveu parar para descansar um pouco. Seu filho, que acabara de completar
seis anos, perguntava sem parar pelo pai e pelo destino que os aguardava. A
mulher respondia com o mais límpido silêncio. Estava neutra e apática. E essa
apatia lhe deu sono.
Adormeceu sob uma mangueira. Quando despertou já era lua alta
no céu. E seu filho boiava imóvel na água. A mulher se levantou, entrou em sua
caminhonete e deu partida. Rumo ao nada.
.Esquadrias.
Eu moro em Esquadrias.
Esquadrias é uma cidade quadrada. Nossas casas são perfeitamente quadradas. E assim também são nossos hospitais, nossas padarias, pracinhas, escolas... Absolutamente tudo quadrado. Quer dizer, nem tudo na vida é tão absoluto. E para a nossa população ser lembrada disso a cada novo dia que surge, está alí, bem no centro da cidade, o nosso pequeno lago redondo. Os patos vivem lá. No redondo. E nós, humanos, no quadrado. É como se a gente acordasse, usasse o banheiro, cozinhasse, visse uma TV ou lesse um livro dentro de uma caixa perfeitamente quadrada. Onde cada caixa guarda uma rotina, uma ilusão, um amor, uma vida.
Vivemos bem. Todos aqui em Esquadrias tem educação, saúde, segurança, um bom vizinho e esse lago incrivelmente redondo onde as pessoas correm em círculos na hora de se exercitarem, em um breve momento de lazer. E depois de um longo dia, voltam para suas casas quadradas para se deitarem em suas camas quadradas ao lado de algum ente querido um pouco quadrado para a nossa época. Mas aqui em em Esquadrias ninguém é julgado. É uma cidade feita de igualdade. Igualdade essa que pode ser enxergada não somente em sua arquitetura mas também em sua população. E se você ficar entediado, vá dar uma volta no lago.
.montanhas de satisfações.
Mundo cão, vida louca, vida boa mas assustadora! Ultimamente meu peito e minha mente vem sendo preenchidos de questionamentos sobre justiça, raiva, Deus, morte, medo, amor, família... Cada qual com seu grau de intensidade e necessidade. Ainda bem que temos globos por onde podemos desaguar cada pedacinho de angústia acumulada sob a pele.
Não queria iniciar esse ano por aqui com palavras tristes... Mas como é bom poder escrever, poder acreditar, poder depositar em letras aquelas pulguinhas insistentes atras de nossas orelhas. E nossa, quantas orelhas tem me escutado. É bom dividir. Seria lindo se fossem só flores. Mas também seria chato! É... nunca estamos satisfeitos. Mas vivemos buscando montanhas de satisfações. Mesmo sabendo que amanhã, a satisfação de hoje pode perder valor. E então, percebemos aquele velho clichê de que temos que viver cada dia como se fosse o nosso último. Na maioria das vezes não é. Mas um dia vai ser. E aí? E aí... Nada! Somos seres em eterno aprendizado. Reprovamos, estudamos, passamos... e sempre voltamos à escola. Essa escola de vida. De pessoas, caminhos, escolhas. Disparando aos ventos nossos anseios e desejos. E cá estou eu, me repetindo. Ponto.
Não queria iniciar esse ano por aqui com palavras tristes... Mas como é bom poder escrever, poder acreditar, poder depositar em letras aquelas pulguinhas insistentes atras de nossas orelhas. E nossa, quantas orelhas tem me escutado. É bom dividir. Seria lindo se fossem só flores. Mas também seria chato! É... nunca estamos satisfeitos. Mas vivemos buscando montanhas de satisfações. Mesmo sabendo que amanhã, a satisfação de hoje pode perder valor. E então, percebemos aquele velho clichê de que temos que viver cada dia como se fosse o nosso último. Na maioria das vezes não é. Mas um dia vai ser. E aí? E aí... Nada! Somos seres em eterno aprendizado. Reprovamos, estudamos, passamos... e sempre voltamos à escola. Essa escola de vida. De pessoas, caminhos, escolhas. Disparando aos ventos nossos anseios e desejos. E cá estou eu, me repetindo. Ponto.
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