sexta-feira, 17 de setembro de 2010

.Vejo flores.


É só abrir os olhos

aproveitar os sentidos...

O coração se enche de um orgulho alheio ao ver um cego pegando metrô sozinho...

O olfato se surpreende ao sentir o forte perfume de pequeninas flores plantadas em um balão...

Os olhos se enchem ao ver o buquê de ipês amarelos, redondos, florindo o azul infinito...

E esses mesmos olhos também podem contemplar a lua nova todo dia, crescendo, minguando, aparecendo no manto negro...

O Tato passeia dentro de um generoso mergulho no lago...

Os ouvidos tricotam uma alegria emprestada do gostoso riso de uma criança, que espera os avós no colo da mãe...

A boca se afoga na gelada cerva e num doce beijo apaixonado ou não...

O mundo está recheado de beleza...

Morda um pedaço, mas deixe cair as sementes...

Aproveite!

domingo, 5 de setembro de 2010

.Deserto urbano.


Tá tudo queimando

tá tudo secando

o asfalto ferve

a cabeça borbulha e tonteia

a pele escorrega

pensamentos nauseiam.

Os ipês amarelos aparecem

o céu azul trinca o azul

Nenhuma nuvem

somente a bola de fogo

queimando

fervendo

borbulhando

Acalorando

acalorando

acalorando

acalorando...