sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
.cabide social.
Um cabide. Um corpo como um cabide. Como uma modelo leve, magra, esguia caminhando firme. Sem tropeçar, sem duvidar. Com seu olhar seguro, repousado sempre na linha do horizonte. Onde a esperança sempre pode ser alcançada. Com sua expressão de neutralidade sem dor. Tudo passa e simplesmente passa. Será? Até onde a segurança de estar vivo te mantém Vivo? Onde você se encontra feliz com suas escolhas, no lugar onde você escolheu estar agora. Nessa cadeira, nessa grande passarela social? É possível se reconhecer no espelho? Se arrumar, se pentear, maquiar a cara, maquiar a máscara. Colocar a sua melhor roupa e tentar seguir em frente com este corpo-casa. Vender o seu peixe. Para se conseguir o emprego, para se conseguir o amor. E depois de conquistado? Sua máscara começa a derreter, seu cabide-corpo fica mais torto. Então, é a hora das palavras cuspidas, do sangue quente ruborizando toda a sua pele-casca. Uma casca dura, calejada de histórias, de experiências que te tornam humano. Cheio de suas verdades e necessidades. Verdades e necessidades que esbarram nas necessidades e verdades dos outros. E logo somos obrigados a conviver. O que de fato é um alívio! A solidão pode nos preencher. Mas até um certo ponto. Depois, precisamos ser aceitos, amados. Gritamos o amor sincero. Procuramos gostar de quem gosta da gente do jeitinho que a gente é. Mas mostramos tudo? É preciso mostrar tudo? Nosso mistério é sedutor e nossa verdade é incontestável? Minha dor é pior que a sua dor? A generosidade reside em nossa rotina? As nossas urgências nos solucionam ou nos atropelam? Pense, pense, pense... Mas em um denominador comum, acho que nunca iremos chegar.
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