Um dia, sem mais nem menos, a mulher decidiu largar o homem.
Acordou bem cedo, antes do primeiro raio de sol invadir a fresta da janela.
Pegou o filho em seu colo ainda muito sonolento e se foi. Ligou a caminhonete
que havia sido comprada com o dinheiro dos salgadinhos que fazia pra fora e
dirigiu por horas e horas.
No fim da tarde, achou uma nascente perto da estrada e
resolveu parar para descansar um pouco. Seu filho, que acabara de completar
seis anos, perguntava sem parar pelo pai e pelo destino que os aguardava. A
mulher respondia com o mais límpido silêncio. Estava neutra e apática. E essa
apatia lhe deu sono.
Adormeceu sob uma mangueira. Quando despertou já era lua alta
no céu. E seu filho boiava imóvel na água. A mulher se levantou, entrou em sua
caminhonete e deu partida. Rumo ao nada.

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